SUINOCULTURA
COMPOSTAGEM
Compostagem de placentas e carcaças de suínos.
(25/07/2000)
Atualmente uma das maiores preocupações dos diferentes órgãos nacionais e internacionais ligados à saúde pública e ao bem estar, está relacionada ao adequado destino dos resíduos domiciliares, industriais ou agrícolas, visando desta forma preservar a qualidade do ar, da água, do solo e de todo meio ambiente em que o homem vive.
Os produtores de suínos têm enormes dificuldades em destinar as placentas e os cadáveres das mortalidades ocorridas nas granjas. Este material acaba tendo como destino o meio ambiente, seja em fossas sépticas, ou enterrado próximo a florestas ou lavouras. A utilização deste sistema tem como inconveniente a contaminação do solo e do lençol freático, com resíduos indesejáveis e microorganismos patogênicos.
Material técnico:
O experimento teve como base a construção de três protótipos de composteiras em alvenaria em granjas produtoras de suínos.
A composteira foi construída com duas câmaras de armazenagem com paredes e piso impermeáveis, sendo a parte frontal fechada com madeira. Neste local foram depositadas em camadas, as placentas e carcaças de suínos. Colocou-se na base uma camada de maravalha ou palha ( soja, milho, trigo, feijão), com 10 cm de espessura, sendo depositados sobre ela as placentas e carcaças dos animais mortos. Em seguida cobriu-se com uma mistura de palha e esterco, acrescentando-se uma pequena quantidade de água. Cada camada de placentas e carcaças foi coberta com uma camada de palha ou maravalha nova. Após encher o depósito, o composto permaneceu em repouso por 60 dias.
Resultados e discussão:
Após 60 dias de estocagem todas as placentas e animais mortos ( natimortos e cadáveres) estavam decompostos, sem apresentar resquícios de pêlos e/ ou ossos. Este material foi considerado pronto para ser usado com adubo orgânico. Na compostagem, sob o ponto de vista sanitário, interessam os processos aeróbicos de fermentação e putrefação dos resíduos, pois sob a ação do oxigênio molecular a oxidação é completa, desmembrando-se completamente a molécula orgânica, cedendo toda sua energia potencial disponível ( hidratos de carbono), e formando sub produtos ( carbonatos e cinzas), que induzem o ambiente a uma considerável alcalinidade. Nesta condição de aerobiose instala-se também um processo de antibiose produzido pela proliferação de fungos ( Aspergillus, Penicillium, Mucor e Streptomyces) e de bactérias esporuladas ( Bacillus, Proteus, Pseudomonas e Micrococcos).
Ao associarem-se os fatores energia calórica ( produzida pela fermentação), alcalinidade ( produzida pela putrefação) e antibiose, obtêm-se condições seguras para o controle eficiente de microorganismos patogênicos.
O exame bacteriológico do material resultante não apresentou contaminação para Salmonella sp, Staphylococcos aureus e Escherichia coli.
Conclusão:
A compostagem de placentas e carcaças de suínos é um método seguro e eficiente em relação a contaminação do meio ambiente, evitando assim a transmissão de agentes causais de doenças, resolvendo um problema crônico da suinocultura industrial, transformando resíduos indesejáveis em adubo orgânico de excelente qualidade.
Fonte:
Dai Prá, M. A., Miola, V., Zago, V., Mistura, C., Anais do IX Congresso de Veterinários Especialistas em Suínos, Belo Horizonte – MG, pg 287 – 288, 1999.
O Nutriente Esquecido!!!
(21/07/2000)
O consumo de água afeta diretamente a produção de nossos animais. Água em quantidade e qualidade é de suma importância para o bom desempenho da produtividade dos suíno. Quase sempre nos preocupamos com a quantidade de água, esquecendo que sua qualidade também é fundamental, e quando se fala em qualidade, envolve temperatura da água oferecida aos animais, contaminações, tipo de bebedouro, limpeza destes bebedouros, etc. ·
O consumo de água depende da qualidade da mesma, pois o suíno é extremamente exigente quanto ao paladar, e se oferecemos uma água quente ( acima de 25 º C), ou mesmo em bebedouro sujo, ou com vazão deficiente, com certeza teremos um consumo reduzido. ·
A água da granja, que oferecemos aos nossos suínos, devem ser potáveis, podendo ser bebidas por nós mesmos, caso contrário, esta água não serve para darmos aos animais.
Consumo de água por fases ( l /dia )
FASE………………………..MÍNIMO……………. MÁXIMO
Leitão Lactante……………0,2…………………… 0,4
Recém Desmamados……. 1 ……………………… 3
Recria/Terminação ………4………………………. 8
Porca Desmamada ……… 12 …………………….. 17
Gestação ………………….. 15 …………………… 20
Lactação …………………… 20 …………………… 35
Cachaço ……………………. 8 ……………………. 12
Vazão Ideal de Bebedouros: (l/min)
FASE………………………….MÍNIMO……………………… MÁXIMO
Leitão Lactante …………………0,5 …………………………. 1,0
Recém Desmamados ………… 1 …………………………… 1,5
Recria/Terminação …………. 1,5 ………………………….. 3
Animais de Reprodução …… 2,5 ………………………….. 3,5
Também devemos manter nossos bebedouros em altura compatível com os animais, desta forma os bebedouros devem ser reguláveis, permanecendo sempre na altura da linha do dorso de nossos animais.
Informações Adicionais
Para cada Kg de ganho de peso dos leitões é necessário 4Kg de leite; cada Kg de leite necessita 1900 Kcal EM; 1 Kg ração Lactação = 3.200 Kcal; ·
Energia de manutenção = 110 * (peso metabólico ) e peso metabólico = 13 + 0,2 * (peso vivo ) ou peso vivo elevado a 0,75; ·
Na gestação 75% da energia requerida é para mantença da fêmea; ·
Custa 1.100 Kcal Cada Kg Incremento fetal; e ·
Custa 5.000 Kcal cada Kg de incremento corporal da Fêmea;
CONCLUSÃO
Desafio: colocar em prática a união dos conhecimentos do nutricionista, fisiologista da reprodução e do bioquímico, visando um relacionamento funcional entre nutrição, estado metabólico e fertilidade.
Antonio Rodrigues de Oliveira Jr
Médico Veterinário da Conpassu
rodrigues@conpassu.com.br
Dietas líquidas para leitões desmamados aos 21 dias.
As exigências de energia dos leitões aumentam rapidamente, necessitando de suplementação para atendê-las, pois o leite supre as exigências energéticas dos leitões somente até três semanas de idade. Com isso dois aspectos devem ser considerados: o primeiro é relativo à variação na qualidade e quantidade do leite materno e o segundo refere-se a particularidades do sistema digestivo dos leitões.
Com o objetivo de propiciar um maior desenvolvimento dos leitões na época do desmame Pupa, et.al apresentou no IX Congresso Brasileiro de Veterinários Especialistas em Suínos realizado em 1999, um experimento visando desenvolver formulações de dietas líquidas para suplementação de leitões desmamados aos 21 dias de idade.
Foram utilizadas três rações: 1) ração sólida farelada com 3370Kcal EM/ Kg de ração e 20% de PB. 2) ração líquida com 22% de PB e 3735Kcal de EM/ Kg e 13% de extrato, 3) ração líquida com 22% de PB, 3870Kcal de EM/Kg e 18,5% de extrato.
A utilização de dieta líquida com 3870 Kcal de EM/Kg, 22% de proteína e 18,5% de gordura na alimentação de leitões nas fazes de aleitamento e creche, desmamados precocemente aos 21 dias de idade resultou em melhores desempenhos.
Tabela1 – Peso vivo dos leitões aos 7, 14, 21, 28, 35 e 42 dias submetidos as diferentes dietas.
Peso Vivo em Gramas ( Dias de idade)
Tratamento.. 7……. 14 ……… 21 ……… 28 …….. .35…… …42
1 2906,6 4047,2 5175,3 6170,5 8330,6 12773,7
2 2915,8 4372,6 6357,6 7938,8 9742,1 13586,8
3 2935,6 4412,8 6249,8 7828,7 10121,6 14129,2
C.V. 11,20 11,16 14,78 10,79 11,09 11,05
Tabela 2 – Ganho de Peso Médio Diário dos Leitões
Ganho de Peso Médio Diário(grama/animal/dia)
Tratamento 7 – 21 dias 21 – 28 dias 28 – 42 dias 7 – 42 dias
1 162,1 142,0 471,6 282,0
2 245,8 226,0 403,6 304,9
3 236,7 225,8 450,0 319,8
C.V. 29,08 31,62 17,33 14,13
Tabela 3 – Consumo Médio Diário de Ração dos Leitões
Consumo Médio Diário de Ração ( grama /animal /dia)
Tratamento 7 – 21 dias… 21 – 28 dias… 28 – 42 dias… 7 – 42 dias
1 1,678 186,9 605,3 280,9
2 16,192 235,9 536,5 274,7
3 12,934 230,7 559,3 280,2
C.V. 40,16 28,61 16,90 13,79
Fonte; suino.com














